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Observatório do Terceiro Setor: Instituto Ajuda Paraná quer incentivar o investimento social privado

Segundo a pesquisa Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos (FASFIL) do IBGE, quase 300 mil organizações formam o terceiro setor brasileiro. Além dos convênios com o governo, que beneficiam pouco mais de 3% das instituições, sobretudo as que atuam na área da assistência social e educação, a maior parte delas depende quase que exclusivamente de recursos de um único mantenedor. O Instituto Ajuda Paraná surgiu com o objetivo de diminuir essa dependência e trabalhar a gestão dos investimentos sociais de forma sustentável.

Recém-fundado em Curitiba (PR) pela advogada Patricia Mussi, o Ajuda Paraná incentiva o investimento social privado por meio da aproximação de organizações e potenciais doadores. Após a doação, o Instituto trabalha na gestão do investimento, cuidando das prestações de contas técnica e financeira, cuja análise resulta em relatórios detalhados para o investidor social.

Instituto Ajuda Paraná

A Rede Gife, uma organização sem fins lucrativos que reúne os principais investidores nacionais (de origem empresarial, familiar, independente ou comunitária), conta com 130 associados, que aplicam aproximadamente R$ 2,4 bilhões anuais na área social. “Cerca de 70% têm origem empresarial, sendo 58% institutos e fundações empresariais. É um número muito pequeno, em relação ao universo de empresas brasileiras. Acreditamos nessa tendência de otimização da gestão dos investimentos sociais. Em vez das empresas terem institutos próprios, com custos administrativos, de pessoal especializado e contratação de consultorias, nós podemos fazer essa ‘ponte’ entre as organizações e os potenciais investidores, trabalhando a gestão do investimento social”, explicou Patricia Mussi.

Pela legislação brasileira, Pessoas Jurídicas tributadas pelo Lucro Real podem deduzir como despesa doações de até 2% do lucro operacional para Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), como é o caso do Ajuda Paraná e entidades com título federal de utilidade pública. O dinheiro é revertido para a manutenção de projetos das organizações registradas no Instituto de Curitiba.

Patricia destaca que, entre os desafios do aporte voluntário de recursos privados para ações de interesse público, está a otimização da comunicação entre as partes.“Estudos também mostram que, além da ausência de uma ‘cultura de doação’, falta confiança nas organizações e existem falhas na percepção de sua legitimidade, fatores necessários para a efetivação da doação. Auxiliar esse diálogo é o papel do Ajuda Paraná, completou.

Cadastro

Para cadastrar uma organização, é preciso acessar a plataforma online do Instituto, responder um questionário e anexar os documentos solicitados. “As perguntas tratam de informações básicas sobre a organização, fundamentais para apresentar o trabalho desenvolvido aos investidores sociais. A advogada Patricia Mussi explica que os dados são essenciais para auxiliar o processo decisório do investimento social.

A etapa seguinte é a visita de um representante do Ajuda Paraná na organização para conhecer o trabalho desenvolvido, com posterior análise dos dados cadastrais e cadastramento no banco de dados do Instituto. As instituições selecionadas recebem um selo que pode ser utilizado em seus materiais de comunicação. Quando surgem investidores com o perfil da organização, é feito o contato para formalizar a parceria.

Além de conferir independência às organizações, o investimento social privado garante maior liberdade na execução de projetos próprios e abre espaço para a inovação na área social. Por outro lado, o envolvimento em ações sociais traz ganhos para a imagem das empresas no mercado, embora a especialista ressalte a baixa confiança no trabalho das organizações da sociedade civil. “Há uma visão de que elas são pouco eficientes, transparentes, têm baixa capacidade de gestão e legitimidade. É uma questão de confiança não só no sentido de desvio de recursos, mas da capacidade de realizar ações.”

O Ajuda Paraná auxilia as empresas a estruturar um plano de investimento social, com definição de causa, valores e beneficiários. O Instituto acompanha a execução do projeto patrocinado, garantindo que a organização cumpra as contrapartidas definidas pelo investidor. A Oscip também busca os melhores projetos incentivados no FIA (Fundo da Infância e Adolescência), Lei Rouanet, Lei de Incentivo ao Esporte, Pronas, Pronon e Fundo do Idoso, além de auxiliar a empresa na criação de um edital específico de projetos alinhado com sua visão de responsabilidade social.

Fonte: http://observatorio3setor.com.br/noticias/instituto-ajuda-parana-quer-incentivar-o-investimento-social-privado-no-estado/

 

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